Castração, um ato de respeito

Há séculos os humanos domesticaram cães e gatos. Os danos causados por esta domesticação são evidentes: o abandono e os maus-tratos decorrentes do descontrole da população, entre outros prejuízos para os animais. Independentemente de quem os causou, é um dever humano buscar eliminar o sofrimento de seres vulneráveis, como os animais.

Pessoas ainda resistem à castração, apontando o suposto sofrimento destes animais no processo de esterilização e definindo-o até como “uma crueldade”. Desconhecem que a dor inexiste na cirurgia, que é feita sob anestesia geral, e é mínima no pós-operatório, pois é controlada facilmente com analgésicos. Os benefícios da esterilização superam em muito qualquer eventual incômodo para o animal e evita danos para um grande número de animais que fatalmente viriam a ser vítimas das mesmas mazelas.

Há quem, de forma especista, argumente contra a intervenção em processos “naturais” ou “divinos”, como se combater o sofrimento e reparar os males causados pela domesticação não fosse uma obrigação moral humana. E também como se, para preservar a si próprios, os humanos não recorressem cotidianamente à subversão de processos ditos “naturais” ou “divinos” (por meio do uso da medicina, por exemplo). Dois pesos, duas medidas?

Boa parte da responsabilidade pela situação é do poder público, em especial das prefeituras. Em busca de uma saída rápida para evitar danos à saúde pública humana, as autoridades ainda recorrem a uma solução tecnicamente equivocada, ilegal e eticamente injustificável: o EXTERMÍNIO dos animais recolhidos das ruas, hipocritamente chamado de “eutanásia”. Às vezes, estes animais têm saúde plena e são mortos pela falta de consciência de que existem meios éticos e eficazes de prevenção. E mesmo os adoecidos deveriam receber tratamento e não uma condenação à morte. Mas é também comum o comodismo e a falta da devida capacitação técnica entre os profissionais que atuam na área. A prática arcaica do extermínio nos centros de controle de zoonoses das cidades ignora os dados estatísticos que provam que esta prática não resolve o problema da população excessiva, rapidamente reposta.

A omissão e passividade em relação à reprodução descontrolada de cães e gatos é tão danosa quanto a ação dos que ativamente maltratam.

O fato de que há uma superpopulação de animais domésticos perambulando pelas ruas é incontestável. Em qualquer lugar que andemos é notória a presença de cães e gatos sem lar, sem cuidados.

Felinos se reproduzem de 3 em 3 meses, e o caninos de 6 em 6 meses.

Em seis anos, uma cadela e seus descendentes podem gerar cerca de 60.000 filhotes — estimativa que aumenta muito quando se trata de gatos.

Cães e gatos que vivem nas ruas são acometidos por doenças graves e fatais de suas espécies (que seriam evitadas pela vacinação adequada), passam fome e frio, são envenenados, sofrem atropelamentos e estão sujeitos a outras violências.

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