Estudo inédito revela dados sobre pesca do tubarão-azul na costa gaúcha

Os primeiros dados oficiais sobre a pesca do cação ou tubarão azul (Prionace glauca) no litoral do RS foram apresentados em reunião do Conselho Gaúcho de Aquicultura e Pesca Sustentáveis (Congapes). O estudo foi coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR).

“O Rio Grande do Sul é pioneiro no país nesse tipo de estudo, que está sendo realizado por meio de convênio entre o Congapes, a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Furg”, explicou o secretário executivo do Congapes, Ricardo Núncio. O relatório parcial do primeiro ano do projeto Tubarão Azul foi apresentado pelo professor Luis Gustavo Cardoso, coordenador da Pós-graduação em Oceanografia Biológica da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), entidade contratada para a pesquisa.

Conforme Cardoso, entre dezembro de 2017 e novembro de 2018, foram capturadas 435 toneladas de cação, gerando receita de cerca de R$ 8 milhões para a frota pesqueira e mais de R$ 1 milhão com a arrecadação de ICMS. A pesquisa será realizada ao longo de cinco anos. Os dados apresentados no Congapes foram baseados em cadernos de bordo da pesca de espinhel de superfície, que é a principal frota que captura essa espécie. “Os dados coletados servirão de referência científica mundial para o manejo exploratório do cação azul”, disse Núncio.

Os conselheiros do Congapes também discutiram a pesca do bagre na bacia do Rio Tramandaí e do dourado no Rio Uruguai. Estão sendo feitos levantamentos para regulamentação da pesca dessas espécies. Ficaram responsáveis por essas pesquisas o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da Ufrgs, no caso da pesca do bagre na bacia do Tramandaí, e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no caso do monitoramento da pesca do dourado na bacia do Uruguai.

“Esse trabalho é para que se tenha condições de determinar o que pode ser capturado em cada estação de pesca e o que deve ser preservado, para que o pescador obtenha o seu sustento, garantindo a preservação das espécies e o ganho econômico para o Estado”, afirmou o secretário da SDR, Tarcisio Minetto.

Fonte: Nathalie Sulzbach (SDR) e André Malinoski (Secom Governo RS). Foto: Divulgação/SDR


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