Serpentário do Museu de Ciências Naturais reabre ao público

A Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) reabriu nesta sexta-feira, 28, o Núcleo de Ofiologia de Porto Alegre (Nopa) do Museu de Ciências Naturais do Rio Grande do Sul. O local passou por um período de reformas e adequações e estará aberto de terças a domingo das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h.

Após permanecer 23 meses fechado, o serpentário foi reaberto por determinação pela Justiça, em decisão de janeiro de 2017. Em reunião com diretores da Sema e Fundação Zoobotânica (FZB), em abril de 2018, a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente cobrou que o Nopa fosse aberto à visitação pública.

Localizado no Jardim Botânico de Porto Alegre, o serpentário tem como objetivo apresentar ao público informações gerais sobre serpentes, enfocando principalmente a diversidade de espécies do Estado.

No espaço estão expostos 10 cobras das principais espécies peçonhentas nativas do RS, como cruzeira, jararaca, jararaca-pintada, cascavel e coral-verdadeira, bem como de outras espécies representativas da fauna regional.

Estão também expostos alguns exemplares de répteis exóticos oriundos do comércio ilegal de fauna e que foram apreendidos pelo Ibama no Rio Grande do Sul, ilustrando problemas relacionados com o tráfico de animais silvestres e a introdução de espécies exóticas. 

O Nopa foi criado em 1987 pelo professor Thales de Lema, um dos pioneiros do Museu de Ciências Naturais, da FZB. Com verba do Ministério da Saúde, Lema montou um laboratório de pesquisas e extração de veneno de serpente, a peçonha, para fornecer aos centros produtores de soro antiofídico nacionais. Em seguida, o professor organizou a Rede Nacional de Núcleos de Ofiologia (Renno), criando nos estados núcleos similares ao Nopa.

Lema chegou a ser convidado pelo Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (Lafergs) para criar o soro antiofídico gaúcho, tanto para uso humano como veterinário, mas não chegou a concluir o trabalho, porque se aposentou e assumiu como professor, em dedicação exclusiva, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da PUCRS, criando as linhas de pesquisa em Ictiologia e Herpetologia.

Desde a interdição do Serpentário, em 2017, também foi suspenso o envio de veneno das serpentes nativas ao Instituto Vital Brazil (IVB), no Rio de Janeiro, porque a Fundação Zoobotânica não renovou o convênio com o laboratório carioca, reduzindo a matéria-prima para produção de soro antiofídico fornecido ao Ministério da Saúde, que redistribui aos hospitais do estado.

A parceria entre FZB e o IVB foi firmada em setembro de 2009 e previa, além da remessa de peçonha, um acordo de cooperação técnico-científica, permitindo o intercâmbio entre técnicos, bolsistas e pesquisadores das duas instituições.

A remessa do material ocorria de duas a três vezes por ano, de acordo com a demanda do Vital Brazil.

“Os venenos das cobras mudam de acordo com a espécie e região de incidência. Aqui no RS tem cascavéis com uma concentração maior da substância chamada Crotamina. Essa toxina é um diferencial para produção de soro mais eficaz”, lembrou o biólogo Roberto Oliveira.

Gelcira Teles, com informações de Catarina Gomes e André Malinoski (Secom/Sema) e Cleber Dioni Tentardini (ExtraClasse). Foto: Cleber Dioni Tentardini

Nota do Repórter Animal: Embora animais humanos e animais não-humanos não possam ainda prescindir do soro antiofídico, não há sentido expor cobras e lagartos (já usados para esta finalidade) para o público em geral.

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