Maus tratos a São Bernardo ocorriam há mais de um ano

Vizinhos da servidora pública Danielle Busko, suspeita de abandonar um cão, da raça São Bernardo, na Zona Sul de Porto Alegre, na semana passada, revelaram que os maus tratos ao animal ocorriam há mais de um ano. Eles foram testemunhar na 16ª Delegacia de Polícia, onde a empresária Graziela Freitas registrou Boletim de Ocorrência (BO) no domingo, 20, após resgatar dois cães da casa da suspeita. Organizadora do ato “Não podemos fechar os olhos”, em repúdio ao abandono do São Bernardo, que morreu na terça, 22, Graziela disse que ao ver os dois animais sendo maltratados, assumiu a responsabilidade por eles. —  Eu não podia deixar eles lá, não podia ver e nada fazer, porque o futuro deles seria o mesmo do São Bernardo — conta. Segundo o BO, “o portão da casa estava destrancado e solto, foi colocado comida e os dois cachorrinhos vieram correndo comer, mostrando muito apetite e sede”. Conforme noticiou o Repórter Animal, os cães passaram por consulta, exames e banho, e estão estáveis.

São Bernardo vagava por Ipanema, bebia água da chuva e comia restos de despachos

Cachorro triste
Em entrevista hoje, 23, ao programa Band Cidade, três dos seis vizinhos da suspeita que foram testemunhar, relataram os maus tratos que o São Bernardo e os outros cães passavam. —  A revolta é grande, porque o São Bernardo Gordo, como era conhecido, sempre andava pelas ruas, bebia água da chuva, comia restos de despachos, há um ano — frisa o administrador Fernando Fonseca. — Ele estava muito magro, muito debilitado, se notava, quem conhece cachorro, que era um cachorro triste
— lamenta a professora Letícia Baum. Os maus tratos vinham sendo denunciados pelos vizinhos. Foram feitos quatro registros na
Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), mas os fiscais nunca encontraram a moradora em casa. — A gente levou filmes deles na chuva, encharcados, chorando, meia noite, na frente da casa querendo entrar e eles não abriam — relata a aposentada Tânia Alves. Além dos vizinhos, também prestou depoimento a dona de casa Grace Baracy, que pensou que a mulher estava descartando lixo ou entulho, e começou a filmar quando viu que era um cachorro.

Graziela Freitas organizou protesto e registrou BO contra a suspeita de abandonar o cão

Graziela enfatiza que teve muito apoio das pessoas que se manifestaram no domingo em Ipanema. — Compraram a briga, estão juntos, ajudando e torcendo para que tenha justiça nessa situação, mesmo sabendo que nosso Brasil é país da impunidade.

Ato em repúdio pelo abandono do cão reuniu protetores e moradores da Zona Sul de Porto Alegre, em Ipanema, no domingo, 20

Danos morais coletivos
A deputada estadual Regina Becker Fortunati (PTB) entrou com representação contra a servidora no Ministério Público, na terça, 22. — Um caso grave como esse, com morte, não se vê todo dia. Instauramos um procedimento civil para investigar a situação e até cobrar uma ação por danos morais coletivos — conta a promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Ana Maria Marchesan ao GaúchaZH.  Segundo a promotora, o caso também deve ser encaminhado ao juizado especial criminal, para que seja desencadeada uma ação criminal contra a mulher, que é servidora da Defensoria Pública da União no Rio Grande do Sul (DPU/RS), por maus tratos. Caso seja condenada, a pena de três meses a um ano de detenção e multa pode ser agravada por conta da morte do animal, conforme prevê o art. 32 da Lei 9605/1998. O Repórter Animal noticiou nota divulgada pela DPU/RS sobre o caso, pois a suspeita ocupa o cargo de Técnica em Assuntos Educacionais no órgão.

Gelcira Teles, com informações Band Cidade, Gaúcha ZH. Fotos: protetores da Zona Sul.

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